Blog Mais Tempo › Produtividade
E-mail: quanto tempo a caixa de entrada consome e como checar menos sem perder nada

Você abre o e-mail para responder a uma mensagem rápida e, quando percebe, já se passou meia hora. Ao longo do dia, a caixa de entrada fica aberta em uma aba, o aviso de nova mensagem pisca no canto da tela e cada interrupção parece pequena. Somadas, porém, elas consomem uma fatia enorme da semana. As pesquisas ajudam a medir esse custo e mostram que dá para checar menos sem deixar nada importante para trás.
Quanto do seu tempo vai para o e-mail?
Um relatório do McKinsey Global Institute publicado em 2012 estimou que o profissional cujo trabalho depende de interação, como gestores e especialistas, gasta cerca de 28% da semana de trabalho cuidando de e-mails. Em uma semana de 40 horas, isso seria algo como 11 horas. O mesmo relatório estimou que quase 20% da semana vai para procurar informações internas ou encontrar colegas que possam ajudar em uma tarefa.
Medições mais detalhadas confirmam o peso do e-mail. Em um estudo apresentado em 2016 na conferência CHI, Gloria Mark, da Universidade da Califórnia em Irvine, e colegas da Microsoft Research e do MIT acompanharam 40 profissionais da informação em seus locais de trabalho, com registro automático do uso do computador, sensores de frequência cardíaca e questionários diários. Em média, os participantes passaram quase uma hora e meia por dia no e-mail e checaram a caixa 77 vezes por dia.
Mais tempo no e-mail, menos produtividade?
O estudo de Mark e colegas encontrou que quanto mais tempo diário no e-mail, menor a produtividade percebida e maior o estresse medido, avaliado pela variabilidade da frequência cardíaca.
A forma de checar também fez diferença. Entre quem passava muito tempo no e-mail, as pessoas que abriam a caixa por iniciativa própria avaliaram a produtividade melhor do que as que dependiam principalmente das notificações. Já agrupar o e-mail em poucos períodos do dia, o chamado processamento em lotes, foi associado a uma produtividade percebida maior nos dias de muito e-mail. Os autores, porém, não encontraram evidência de que os lotes reduzam o estresse.
Checar menos reduz o estresse?
Um experimento de Kostadin Kushlev e Elizabeth Dunn, da Universidade da Colúmbia Britânica, testou isso diretamente. No estudo publicado em 2015 na revista Computers in Human Behavior, 124 adultos passaram duas semanas em condições diferentes:
- em uma semana, deveriam checar o e-mail apenas três vezes por dia, mantendo a caixa fechada no resto do tempo e os alertas desligados;
- na outra, podiam checar quantas vezes quisessem, com a caixa aberta e as notificações ligadas.
Segundo os próprios relatos dos participantes, eles checaram em média 4,7 vezes por dia na semana limitada e 12,5 vezes na semana livre. Resultado: na semana com limite, o estresse diário foi significativamente menor. E menos estresse, por sua vez, esteve associado a mais bem-estar, maior atenção plena, melhor produtividade percebida e melhor qualidade do sono.
Os autores fazem ressalvas importantes. A estratégia pode não servir para quem depende de atualizações constantes para trabalhar. E parte do estresse com e-mail vem da expectativa dos outros de receber resposta rápida, por isso mudanças combinadas com a equipe tendem a funcionar melhor do que esforços isolados.
Onde a Tríade do Tempo entra
Na Tríade do Tempo, metodologia criada por Christian Barbosa, as atividades se dividem em importantes, urgentes e circunstanciais. A caixa de entrada mistura as três: há mensagens que exigem ação, pedidos com prazo e muitas cópias que não acrescentam nada. Checar o tempo todo faz tudo parecer urgente. Se quiser entender para onde o seu tempo está indo, o Teste da Tríade do Tempo é gratuito.
Como checar menos sem perder nada
- Defina janelas fixas. Três checagens por dia, como no experimento de Kushlev e Dunn, são um bom ponto de partida: por exemplo, no meio da manhã, depois do almoço e no fim da tarde.
- Desligue as notificações e feche a caixa entre as janelas. Foi essa a combinação usada na semana de menor estresse do estudo.
- Combine regras com a equipe. Deixe claro em quanto tempo você costuma responder e qual canal usar quando algo for realmente urgente, como uma ligação.
- Decida na primeira leitura. Ao abrir uma mensagem, responda se levar poucos minutos, agende se exigir mais tempo, delegue ou arquive. Reler a mesma mensagem várias vezes multiplica o tempo gasto.
- Reduza o volume na origem. Mark e colegas sugerem que as empresas cortem o tráfego de e-mail, levando informações gerais para canais de consulta ou espaços compartilhados. Evite cópias desnecessárias nas mensagens que você envia.
- Em dias de muito e-mail, trabalhe em lotes. No estudo de 2016, agrupar o e-mail esteve ligado a uma produtividade percebida maior justamente quando o volume era alto.
- Meça o seu tempo. Por uma semana, anote quantas vezes e por quanto tempo você abre a caixa. Como o tempo diário no e-mail esteve associado a mais estresse, saber o seu número é o primeiro passo para reduzi-lo.
Fontes
- McKinsey Global Institute (Chui, M. e colegas) — “The social economy: Unlocking value and productivity through social technologies” — McKinsey & Company, 2012. mckinsey.com
- Mark, G.; Iqbal, S. T.; Czerwinski, M.; Johns, P.; Sano, A.; Lutchyn, Y. — “Email Duration, Batching and Self-interruption: Patterns of Email Use on Productivity and Stress” — Proceedings of CHI 2016 (ACM), 2016. doi.org
- Kushlev, K.; Dunn, E. W. — “Checking email less frequently reduces stress” — Computers in Human Behavior, 2015. doi.org



