As habilidades que as empresas mais vão procurar até 2030

Quais competências vão separar quem cresce na carreira de quem fica para trás nos próximos anos? Para responder com dados, e não com palpites, vale olhar para o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial. O relatório reuniu a visão de mais de 1.000 grandes empregadores, que somam mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias, sobre o que esperam do mercado de trabalho entre 2025 e 2030.
O recado principal é simples: as habilidades ligadas à tecnologia sobem rápido, mas as empresas continuam valorizando, e muito, as competências humanas. Quem combina as duas coisas sai na frente.
Quanto das suas habilidades vai mudar até 2030?
Segundo os empregadores ouvidos pelo Fórum, em média 39% das habilidades atuais dos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas entre 2025 e 2030. É muito, mas o número já foi maior: era 44% na edição de 2023 e chegou a 57% em 2020, logo depois do início da pandemia.
O próprio relatório levanta uma explicação possível para essa desaceleração: a parcela de trabalhadores que concluiu algum treinamento, requalificação ou aperfeiçoamento subiu para 50%, contra 41% na edição de 2023. Em outras palavras, quem já está aprendendo tende a sentir menos o impacto das mudanças.
Quais habilidades as empresas mais valorizam hoje?
Quando a pergunta é sobre as competências essenciais em 2025, o pensamento analítico lidera: sete em cada dez empresas o consideram fundamental para sua força de trabalho. Logo atrás aparecem:
- Resiliência, flexibilidade e agilidade;
- Liderança e influência social;
- Pensamento criativo;
- Motivação e autoconhecimento;
- Letramento tecnológico.
Repare que a maior parte da lista é formada por habilidades comportamentais. Analisar bem um problema, adaptar-se a mudanças e influenciar pessoas continuam no centro do que as empresas procuram.
Quais são as habilidades que mais crescem?
Olhando para a frente, a lista muda de cara. As três habilidades que mais devem ganhar importância até 2030 são tecnológicas:
- Inteligência artificial e big data;
- Redes e cibersegurança;
- Letramento tecnológico.
Logo depois vêm pensamento criativo; resiliência, flexibilidade e agilidade; e curiosidade e aprendizado contínuo. Completam a lista das dez que mais crescem liderança e influência social, gestão de talentos, pensamento analítico e, pela primeira vez, gestão ambiental (environmental stewardship), puxada pelas mudanças climáticas.
No sentido oposto, destreza manual, resistência física e precisão se destacam pela queda: 24% dos empregadores esperam que essas habilidades percam importância no período.
E no Brasil?
O relatório traz um recorte por país. No Brasil, as lacunas de habilidades aparecem como uma das principais barreiras para a transformação dos negócios até 2030, e quase nove em cada dez empresas planejam requalificar seus funcionários nos próximos cinco anos. As habilidades que mais devem crescer por aqui são IA e big data, pensamento criativo e letramento tecnológico. As empresas brasileiras também esperam dar mais peso a empatia e escuta ativa, citadas por 60% dos entrevistados, além de resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizado contínuo.
Por que as habilidades humanas continuam no centro?
Pode parecer contraditório: a tecnologia avança e, ao mesmo tempo, as empresas valorizam mais empatia, liderança e criatividade. Mas faz sentido. Ferramentas novas chegam o tempo todo; a capacidade de aprender a usá-las, de trabalhar bem com outras pessoas e de tomar boas decisões é o que dá liga a tudo.
O Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn, vai na mesma direção: 91% dos profissionais de treinamento e desenvolvimento ouvidos dizem que as habilidades humanas estão cada vez mais importantes. O mesmo levantamento mostra que 49% concordam que seus executivos temem que os funcionários não tenham as habilidades certas para executar a estratégia do negócio.
Para quem trabalha, a leitura prática é: não se trata de escolher entre “aprender IA” ou “desenvolver soft skills”. O perfil mais procurado junta as duas coisas.
Como começar a desenvolver essas habilidades agora
Conhecer a lista ajuda pouco se ela não virar ação. Um roteiro simples para os próximos meses:
- Faça um diagnóstico honesto. Pegue as habilidades citadas acima e dê uma nota de 1 a 5 para cada uma, pensando no seu trabalho atual. Escolha no máximo duas para desenvolver neste semestre.
- Combine uma técnica e uma humana. Por exemplo: letramento em IA com escuta ativa, ou análise de dados com influência social. Uma potencializa a outra.
- Aprenda aplicando. Use a ferramenta nova num problema real da sua rotina. Para habilidades comportamentais, ofereça-se para conduzir uma reunião, apresentar um projeto ou mediar uma conversa difícil.
- Reserve horário fixo na agenda. Desenvolvimento profissional traz resultado no médio prazo, mas raramente parece urgente. Se não estiver na agenda, vai perder espaço para as demandas do dia.
- Peça feedback. Depois de um ou dois meses, pergunte a um colega ou ao seu gestor se ele percebeu alguma diferença.
- Revise a cada trimestre. O mercado muda, suas prioridades mudam, e a sua lista também pode mudar.
Na lógica da Tríade do Tempo, metodologia criada por Christian Barbosa, investir nas próprias competências é um exemplo claro de tarefa importante: não grita por atenção como as urgências, mas é ela que define onde você vai estar daqui a cinco anos.
Fontes
- World Economic Forum — “The Future of Jobs Report 2025” — World Economic Forum, 2025. reports.weforum.org
- LinkedIn Learning — “Workplace Learning Report 2025: The rise of career champions” — LinkedIn, 2025. business.linkedin.com



