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As habilidades que as empresas mais vão procurar até 2030

Por Juliana Braga — Redação TriadPS ·

Duas colegas analisam juntas um material diante de um notebook no escritório
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Quais competências vão separar quem cresce na carreira de quem fica para trás nos próximos anos? Para responder com dados, e não com palpites, vale olhar para o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial. O relatório reuniu a visão de mais de 1.000 grandes empregadores, que somam mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias, sobre o que esperam do mercado de trabalho entre 2025 e 2030.

O recado principal é simples: as habilidades ligadas à tecnologia sobem rápido, mas as empresas continuam valorizando, e muito, as competências humanas. Quem combina as duas coisas sai na frente.

Quanto das suas habilidades vai mudar até 2030?

Segundo os empregadores ouvidos pelo Fórum, em média 39% das habilidades atuais dos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas entre 2025 e 2030. É muito, mas o número já foi maior: era 44% na edição de 2023 e chegou a 57% em 2020, logo depois do início da pandemia.

O próprio relatório levanta uma explicação possível para essa desaceleração: a parcela de trabalhadores que concluiu algum treinamento, requalificação ou aperfeiçoamento subiu para 50%, contra 41% na edição de 2023. Em outras palavras, quem já está aprendendo tende a sentir menos o impacto das mudanças.

Quais habilidades as empresas mais valorizam hoje?

Quando a pergunta é sobre as competências essenciais em 2025, o pensamento analítico lidera: sete em cada dez empresas o consideram fundamental para sua força de trabalho. Logo atrás aparecem:

  • Resiliência, flexibilidade e agilidade;
  • Liderança e influência social;
  • Pensamento criativo;
  • Motivação e autoconhecimento;
  • Letramento tecnológico.

Repare que a maior parte da lista é formada por habilidades comportamentais. Analisar bem um problema, adaptar-se a mudanças e influenciar pessoas continuam no centro do que as empresas procuram.

Quais são as habilidades que mais crescem?

Olhando para a frente, a lista muda de cara. As três habilidades que mais devem ganhar importância até 2030 são tecnológicas:

  1. Inteligência artificial e big data;
  2. Redes e cibersegurança;
  3. Letramento tecnológico.

Logo depois vêm pensamento criativo; resiliência, flexibilidade e agilidade; e curiosidade e aprendizado contínuo. Completam a lista das dez que mais crescem liderança e influência social, gestão de talentos, pensamento analítico e, pela primeira vez, gestão ambiental (environmental stewardship), puxada pelas mudanças climáticas.

No sentido oposto, destreza manual, resistência física e precisão se destacam pela queda: 24% dos empregadores esperam que essas habilidades percam importância no período.

E no Brasil?

O relatório traz um recorte por país. No Brasil, as lacunas de habilidades aparecem como uma das principais barreiras para a transformação dos negócios até 2030, e quase nove em cada dez empresas planejam requalificar seus funcionários nos próximos cinco anos. As habilidades que mais devem crescer por aqui são IA e big data, pensamento criativo e letramento tecnológico. As empresas brasileiras também esperam dar mais peso a empatia e escuta ativa, citadas por 60% dos entrevistados, além de resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizado contínuo.

Por que as habilidades humanas continuam no centro?

Pode parecer contraditório: a tecnologia avança e, ao mesmo tempo, as empresas valorizam mais empatia, liderança e criatividade. Mas faz sentido. Ferramentas novas chegam o tempo todo; a capacidade de aprender a usá-las, de trabalhar bem com outras pessoas e de tomar boas decisões é o que dá liga a tudo.

O Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn, vai na mesma direção: 91% dos profissionais de treinamento e desenvolvimento ouvidos dizem que as habilidades humanas estão cada vez mais importantes. O mesmo levantamento mostra que 49% concordam que seus executivos temem que os funcionários não tenham as habilidades certas para executar a estratégia do negócio.

Para quem trabalha, a leitura prática é: não se trata de escolher entre “aprender IA” ou “desenvolver soft skills”. O perfil mais procurado junta as duas coisas.

Como começar a desenvolver essas habilidades agora

Conhecer a lista ajuda pouco se ela não virar ação. Um roteiro simples para os próximos meses:

  1. Faça um diagnóstico honesto. Pegue as habilidades citadas acima e dê uma nota de 1 a 5 para cada uma, pensando no seu trabalho atual. Escolha no máximo duas para desenvolver neste semestre.
  2. Combine uma técnica e uma humana. Por exemplo: letramento em IA com escuta ativa, ou análise de dados com influência social. Uma potencializa a outra.
  3. Aprenda aplicando. Use a ferramenta nova num problema real da sua rotina. Para habilidades comportamentais, ofereça-se para conduzir uma reunião, apresentar um projeto ou mediar uma conversa difícil.
  4. Reserve horário fixo na agenda. Desenvolvimento profissional traz resultado no médio prazo, mas raramente parece urgente. Se não estiver na agenda, vai perder espaço para as demandas do dia.
  5. Peça feedback. Depois de um ou dois meses, pergunte a um colega ou ao seu gestor se ele percebeu alguma diferença.
  6. Revise a cada trimestre. O mercado muda, suas prioridades mudam, e a sua lista também pode mudar.

Na lógica da Tríade do Tempo, metodologia criada por Christian Barbosa, investir nas próprias competências é um exemplo claro de tarefa importante: não grita por atenção como as urgências, mas é ela que define onde você vai estar daqui a cinco anos.

Fontes

  • World Economic Forum — “The Future of Jobs Report 2025” — World Economic Forum, 2025. reports.weforum.org
  • LinkedIn Learning — “Workplace Learning Report 2025: The rise of career champions” — LinkedIn, 2025. business.linkedin.com

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