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Empreendedorismo no Brasil em números: o que dizem GEM e Sebrae

Por Juliana Braga — Redação TriadPS ·

Dois sócios conversam sobre o negócio em uma mesa de café com documentos e tablet
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

O Brasil é um país de empreendedores, e isso não é só frase de efeito. A principal pesquisa internacional sobre o tema, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), feita no Brasil desde 2000 e conduzida desde 2022 pela Anegepe em parceria com o Sebrae, mostra que uma fatia enorme da população adulta está à frente de algum negócio, formal ou informal. Já os dados de sobrevivência de empresas lembram que abrir é a parte mais fácil da jornada.

Reunimos os números mais recentes e, no fim, o que eles sugerem para quem empreende ou pensa em empreender.

Quantos brasileiros empreendem hoje?

Segundo o relatório executivo do GEM Brasil 2024, a taxa de empreendedorismo total chegou a 33,4% da população de 18 a 64 anos em 2024, contra 30,1% em 2023. Isso equivalia a cerca de 46,9 milhões de brasileiros envolvidos com negócios em fase inicial ou já estabelecidos. Naquele ciclo, a pesquisa ouviu 2.000 adultos e 58 especialistas.

Em 2025, o movimento se inverteu levemente. A apresentação dos resultados do GEM 2025, divulgada pelo Sebrae em março de 2026, registra taxa total de 31,6%, com base em 2.350 entrevistas com adultos e 55 com especialistas. A explicação apontada é a melhora do mercado de trabalho: com mais vagas, alguns empreendedores voltaram ao emprego, e essa saída parece ter se concentrado entre pessoas de baixa escolaridade e baixa renda.

Com a queda, o Brasil passou da 5ª para a 10ª maior taxa total entre os países pesquisados. Mesmo assim, o GEM estima 43,8 milhões de adultos que tinham um negócio ou tomaram alguma iniciativa para ter um em 2025. Outros 42,5 milhões não empreendem, mas gostariam de abrir um negócio em até três anos.

Empreender por oportunidade ou por necessidade?

O GEM separa quem abre um negócio porque enxergou uma oportunidade de quem empreende por necessidade, para garantir o sustento. Em 2024, cerca de 45% dos empreendedores iniciais (com até 3,5 anos de atividade) começaram por necessidade, alta de 6,1 pontos percentuais em relação a 2023. Em 2025, a proporção dos que iniciaram por oportunidade voltou a subir, de 55% para 58%.

A pesquisa também mede motivações múltiplas. Em 2025, “construir uma grande riqueza ou renda muito alta” repetiu o recorde da série, com 69% de concordância entre os empreendedores iniciais, enquanto “ganhar a vida porque os empregos são escassos” atingiu a menor proporção da série, 71%. E “ter o próprio negócio” subiu de 34% para 40% da população adulta como sonho, chegando ao 2º lugar no ranking de sonhos do brasileiro.

Quantas empresas sobrevivem aos primeiros anos?

Aqui aparece o lado menos glamouroso. A pesquisa Sobrevivência de Empresas, do Sebrae, feita com dados da Receita Federal e pesquisa de campo e divulgada em 2021 com base em 2020, estimou a mortalidade em até cinco anos por porte:

  • MEI: 29% fecham em até cinco anos;
  • Microempresas: 21,6%;
  • Empresas de pequeno porte: 17%.

Por setor, o comércio teve a maior mortalidade (30,2%), seguido pela indústria de transformação (27,3%) e pelos serviços (26,6%). As menores taxas ficaram na indústria extrativa (14,3%) e na agropecuária (18%).

Entre os negócios que fecharam, 22% citaram a falta de capital de giro como fator decisivo, e 20% apontaram vendas baixas ou falta de clientes. Mais de 40% dos ex-donos mencionaram a pandemia entre as causas, o que mostra o peso do momento em que os dados foram coletados. Outro dado chama atenção: 34% acreditavam que acesso a crédito poderia ter evitado o fechamento, mas apenas 7% desse grupo pediu e conseguiu crédito bancário.

Na leitura do Sebrae, quanto maior o porte, maior a sobrevivência, porque o empresário costuma chegar mais preparado e, muitas vezes, empreende por oportunidade, e não por necessidade. Vale uma ressalva: os números refletem o cenário de 2020 e podem ter mudado desde então.

O que esses números ensinam para quem empreende?

Juntando as duas pesquisas, aparecem três lições práticas:

  1. Motivação ajuda, mas preparo pesa mais. Empreender por necessidade não condena o negócio, mas exige compensar a falta de planejamento prévio com aprendizado rápido de gestão.
  2. Caixa é tempo de vida. A falta de capital de giro está entre os motivos de fechamento. Planejar o fluxo de caixa é tão estratégico quanto vender.
  3. Cliente vem primeiro. Vendas baixas e falta de clientes também aparecem na lista. Validar a demanda antes de investir pesado reduz o risco.

Checklist para quem está começando (ou recomeçando)

  • Escreva em uma frase por que você está abrindo o negócio: oportunidade identificada ou necessidade? Isso muda o ritmo e o risco que você pode assumir.
  • Calcule quantos meses de custos fixos o seu caixa cobre hoje.
  • Separe as finanças pessoais das finanças da empresa desde o primeiro dia.
  • Defina uma meta de vendas mensal e acompanhe o resultado toda semana.
  • Pesquise as opções de crédito antes de precisar delas com urgência.
  • Reserve horas fixas na semana para aprender gestão: finanças, vendas e precificação.
  • Bloqueie na agenda tempo para planejar, e não só para executar.

Esse último item é onde muitos empreendedores tropeçam. Na Tríade do Tempo, metodologia criada por Christian Barbosa, planejamento, capacitação e relacionamento com clientes são atividades importantes: não pegam fogo hoje, mas ajudam a definir se o negócio estará de pé daqui a cinco anos. Quando o dia é engolido por urgências, são justamente elas que ficam para depois.

Fontes

  • Anegepe e Sebrae — “Empreendedorismo no Brasil 2024: Relatório Executivo” (GEM — Global Entrepreneurship Monitor) — 2025. api.pr.sebrae.com.br
  • Sebrae — “Pesquisa GEM 2025 (Global Entrepreneurship Monitor): principais resultados” — apresentação, março de 2026. sebraepr.com.br
  • Agência Sebrae de Notícias — “Três em cada 10 MEI fecham as portas em até cinco anos de atividade no Brasil” (pesquisa Sobrevivência de Empresas 2020) — 2021. agenciasebrae.com.br

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