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Aprendizado contínuo: como encaixar estudo numa agenda cheia

Por Juliana Braga — Redação TriadPS ·

Pessoa digitando no notebook em uma mesa de madeira com caderno e xícara de café
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Você sabe que precisa continuar aprendendo, mas a semana termina e o curso que você comprou continua parado na mesma aula. Se isso soa familiar, você está longe de ser o único. A falta de tempo é uma das barreiras mais citadas quando o assunto é desenvolvimento profissional. A boa notícia é que dá para encaixar estudo numa agenda cheia, desde que ele deixe de ser algo para “quando sobrar tempo” e passe a ter lugar fixo na semana.

Por que aprender continuamente deixou de ser opcional?

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, traz uma conta que ajuda a dimensionar o desafio. Se a força de trabalho mundial fosse formada por 100 pessoas, 59 precisariam de treinamento até 2030. Dessas, os empregadores estimam que 29 poderiam ser capacitadas na própria função e 19 seriam treinadas e realocadas para outras funções dentro da empresa. Outras 11, porém, provavelmente não receberiam a capacitação de que precisam, o que deixa suas perspectivas de emprego cada vez mais em risco.

O mesmo relatório coloca “curiosidade e aprendizado contínuo” entre as habilidades que mais ganham importância até 2030. E mostra que a parcela de trabalhadores que já concluiu algum treinamento subiu de 41% para 50% entre as edições de 2023 e 2025.

A mensagem é clara: esperar que a empresa organize tudo é arriscado. Uma parte importante desse movimento depende de você.

O que trava o estudo de quem já trabalha muito?

O Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn, perguntou a profissionais de RH e de treinamento quais são as maiores barreiras ao desenvolvimento de carreira nas empresas. A falta de tempo e de recursos aparece como um ponto crítico: 50% dizem que os gestores não têm o apoio adequado para isso, e 45% dizem o mesmo sobre os funcionários.

O apoio do chefe também anda escasso. Segundo o relatório, só 15% dos funcionários dizem que o gestor os ajudou a montar um plano de carreira nos últimos seis meses, cinco pontos percentuais a menos que em 2024.

Ao mesmo tempo, a motivação existe. O relatório aponta que o progresso na carreira é a principal motivação das pessoas para aprender, e 84% dos funcionários concordam com a frase “aprender dá propósito ao meu trabalho”. Ou seja: vontade não falta. O que costuma faltar é método e espaço na agenda.

Como aprender melhor em menos tempo?

Quem tem pouco tempo precisa usar técnicas que rendem mais. Uma ampla revisão de pesquisas sobre técnicas de estudo, publicada por John Dunlosky e colegas na revista Psychological Science in the Public Interest, avaliou dez estratégias muito usadas. Apenas duas receberam a classificação de alta utilidade:

  • Prática de testes: testar a si mesmo sobre o conteúdo, em vez de apenas reler.
  • Prática distribuída: espalhar o estudo em várias sessões ao longo do tempo, em vez de concentrar tudo de uma vez.

Segundo os autores, essas duas técnicas beneficiam aprendizes de diferentes idades e níveis e melhoram o desempenho em vários tipos de tarefa. Já técnicas populares, como reler e grifar, foram classificadas como de baixa utilidade, porque não melhoram o desempenho de forma consistente. A sugestão deles é direta: trocar a releitura por testes práticos.

Isso é ótimo para quem tem agenda cheia. A prática distribuída favorece justamente sessões curtas e frequentes, que cabem muito melhor na rotina do que maratonas de fim de semana.

Como encaixar o estudo na agenda: passo a passo

  1. Defina um objetivo ligado à carreira. “Fazer um curso de dados” é vago. “Montar sozinho o relatório mensal da equipe em planilha até março” dá direção e motivação.
  2. Escolha blocos curtos e fixos. Duas ou três sessões de 25 a 40 minutos por semana, sempre no mesmo dia e horário, costumam funcionar melhor do que esperar uma tarde livre que nunca chega.
  3. Trate o bloco como compromisso. Coloque na agenda com nome e objetivo. Se precisar remarcar, remarque dentro da mesma semana, em vez de cancelar.
  4. Comece cada sessão se testando. Antes de avançar, tente lembrar os pontos principais da sessão anterior sem consultar o material. É a prática de testes em ação.
  5. Aplique em até uma semana. Leve algo do que aprendeu para uma tarefa real do trabalho. Aplicar ajuda a fixar o conteúdo e mostra resultado para você e para o seu gestor.
  6. Converse com seu gestor. Diante de tão pouco apoio espontâneo, vale tomar a iniciativa: conte o que está estudando e pergunte onde isso pode ser útil para a equipe.
  7. Corte antes de acrescentar. Para abrir espaço, identifique uma ou duas atividades da semana que poderiam ser eliminadas, delegadas ou encurtadas.

Onde a Tríade do Tempo entra

Na metodologia criada por Christian Barbosa, as atividades se dividem em importantes, urgentes e circunstanciais. Estudar é o exemplo clássico de tarefa importante: traz resultado, mas quase nunca tem a pressão de um prazo imediato. Por isso perde espaço para as urgências e para as tarefas circunstanciais, como reuniões sem objetivo e interrupções constantes. Se quiser descobrir como está a sua distribuição de tempo hoje, o Teste da Tríade do Tempo é gratuito e ajuda a enxergar onde pode estar o espaço para o estudo.

Fontes

  • World Economic Forum — “The Future of Jobs Report 2025” — World Economic Forum, 2025. reports.weforum.org
  • LinkedIn Learning — “Workplace Learning Report 2025: The rise of career champions” — LinkedIn, 2025. business.linkedin.com
  • Dunlosky, J.; Rawson, K. A.; Marsh, E. J.; Nathan, M. J.; Willingham, D. T. — “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques” — Psychological Science in the Public Interest, 2013. doi.org

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