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Celular e notificações: como retomar o controle do seu tempo

Por Juliana Braga — Redação TriadPS ·

Mão segurando um celular com a imagem de um relógio na tela
Foto: Markus Winkler / Unsplash

Você pega o celular para ver a hora e, quando percebe, passaram vinte minutos entre mensagens, vídeos e notícias. A cena é comum, e os números mostram que o Brasil está entre os países mais conectados do mundo. O desafio não é abandonar o celular, que é ferramenta de trabalho e de vida, mas decidir quando ele serve a você e quando é você quem está servindo a ele.

Quantas horas os brasileiros passam conectados?

Segundo o relatório Digital 2026: Brazil, do DataReportal, publicado com apoio de Meltwater e We Are Social, o Brasil tinha 185 milhões de usuários de internet no fim de 2025, o equivalente a 86,9% da população. Eram 217 milhões de conexões de celular ativas, ou 102% da população, já que muita gente tem mais de uma linha, e 150 milhões de identidades de usuários em redes sociais, número equivalente a 70,4% da população (o relatório lembra que essas identidades não correspondem necessariamente a pessoas únicas).

E o tempo? Em comunicado sobre a pesquisa Consumer Pulse 2025, a Bain & Company informa que o brasileiro passa 9h13 por dia conectado, contra uma média global de 6h38, e que 3h37 desse total vão para as redes sociais. A pesquisa ouviu cerca de 7.500 pessoas na América Latina, 2 mil delas no Brasil, em janeiro de 2025.

Os brasileiros querem usar menos o celular?

Muitos querem. No mesmo levantamento, 28% dos entrevistados disseram querer reduzir as horas dedicadas ao mundo digital, e o tempo de tela aparece em primeiro lugar entre os hábitos que as pessoas gostariam de mudar, à frente de alimentação e sedentarismo. Entre os motivos para querer usar menos o celular, 35% citaram a distração causada pelos estímulos digitais, 28% os efeitos na saúde e no bem-estar e 18% a culpa pelo uso excessivo.

Ou seja: não falta vontade. O que costuma faltar é um plano que não dependa apenas de força de vontade, porque o celular foi desenhado para chamar a sua atenção o tempo todo.

Por que as notificações pesam tanto?

Cada alerta é um convite para interromper o que você está fazendo. Um experimento de campo conduzido por Fitz, Kushlev, Ariely e colegas, publicado em 2019 na revista Computers in Human Behavior, testou isso com 237 participantes. Usando um aplicativo criado pelos pesquisadores, eles foram divididos por sorteio em três grupos: um recebia as notificações normalmente, outro as recebia agrupadas em horários previsíveis e o terceiro não recebia nenhuma.

Na comparação com o grupo de controle, quem recebeu as notificações agrupadas três vezes ao dia relatou sentir-se mais atento, mais produtivo, de melhor humor e com mais controle sobre o celular, além de menos estresse e menos interrupções. Já quem ficou sem notificação nenhuma teve poucos desses benefícios e relatou mais ansiedade e mais medo de ficar por fora, o chamado FoMO.

A lição é útil: o caminho não é cortar tudo, e sim tirar das notificações o poder de decidir quando você vai olhar o celular.

Como retomar o controle: passo a passo

  1. Descubra o seu número. Abra o painel de tempo de tela do aparelho (Bem-estar digital, no Android, ou Tempo de Uso, no iPhone) e veja quantas horas e quantos desbloqueios você teve na última semana.
  2. Corte as notificações não essenciais. Deixe ativas só as de pessoas e serviços que realmente exigem resposta rápida. Promoções, redes sociais e jogos podem esperar.
  3. Agrupe o resto. Use recursos como o resumo agendado de notificações ou os modos de foco para receber os alertas em dois ou três horários do dia, como no grupo que se saiu melhor no experimento.
  4. Tire o celular do campo de visão. Durante tarefas que exigem concentração, deixe o aparelho em outro cômodo ou dentro da gaveta.
  5. Reorganize a tela inicial. Mova redes sociais e aplicativos de vídeo para uma pasta fora da primeira tela. Um toque a mais já reduz o uso no piloto automático.
  6. Crie horários sem tela. A primeira meia hora do dia, as refeições e a hora antes de dormir são bons pontos de partida.
  7. Separe trabalho e vida pessoal. Se possível, silencie os aplicativos de trabalho fora do expediente ou use um perfil de foco específico para o horário de trabalho. Assim, a mensagem do grupo da empresa não invade o jantar, e a do grupo da família não interrompe a tarefa importante.
  8. Revise em uma semana. Compare o tempo de tela com o da semana anterior e ajuste o que não funcionou.

Não espere resultado perfeito na primeira semana. Hábitos ligados ao celular são automáticos e voltam com facilidade. Comece com uma ou duas mudanças, observe o efeito e só então acrescente as próximas. O importante é que as regras sejam suas, e não dos aplicativos.

Na Tríade do Tempo, metodologia de Christian Barbosa, boa parte do uso automático do celular entra na esfera circunstancial: ocupa tempo sem levar a nenhum resultado que você valorize. Ao reduzir esse volume, sobra espaço para o que é importante, inclusive descanso, família e saúde. O objetivo não é zerar a tela, e sim usá-la de propósito.

Fontes

  • DataReportal (Kepios), com Meltwater e We Are Social — “Digital 2026: Brazil” — DataReportal, 2025. datareportal.com
  • Bain & Company — “Brasileiros querem diminuir tempo de tela, mas passam mais de 9 horas/dia conectados” (Consumer Pulse 2025) — comunicado à imprensa, 2025. bain.com
  • Nicholas Fitz, Kostadin Kushlev, Ranjan Jagannathan, Terrel Lewis, Devang Paliwal e Dan Ariely — “Batching smartphone notifications can improve well-being” — Computers in Human Behavior, v. 101, 2019. doi.org

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